Fonte: Agita News Oficial
Nomeada a 27 de Maio de 2026 com a missão de “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”, a nova Inspectora-Geral da Administração do Estado, Felisbela Francisco, iniciou o mandato com uma profunda remodelação na estrutura dirigente da IGAE.
Em menos de um mês no cargo, a responsável exonerou quatro Directores Nacionais e a Secretária-Geral, Carla Nunes. A medida acontece num contexto em que o órgão vinha sendo criticado pelo alegado desvio ao Estatuto Orgânico e pela aprovação do Decreto Presidencial n.º 52/25, de 5 de Julho, sobre o Procedimento Inspectivo, diploma apontado por especialistas como tendo lacunas que podem comprometer processos inspectivos.
EXONERAÇÕES COM MAIOR REPERCUSSÃO
A exoneração que mais repercussão teve foi a da Dra. Elsa Neto, então Directora do Gabinete de Recursos Humanos. Conhecida internamente como “Miss Ética” por ser prelectora em acções de formação sobre conduta de agentes públicos em todo o país, a dirigente foi afastada do cargo.
Também foi exonerado Benigno Costa, Director que conduzia os processos de certificação da dívida pública. Segundo fontes internas, o processo era questionado por credores do Estado devido a critérios pouco claros de atendimento.
Saiu ainda Pedro Eduardo, Director do Gabinete de Estudos e Projectos. Nomeado durante a gestão de João Pinto, o responsável é apontado como familiar do ex-Inspector-Geral.
Foram igualmente notificados da cessação de funções os Directores da Direcção de Denúncias, Queixas e Reclamações, José Silvestre, e da DIFSA, Débora Coelho. De acordo com fontes do órgão, a nomeação desta última terá ocorrido por critérios de proximidade com a anterior direcção.
ANÁLISE: QUEBRA DE CONTINUIDADE?
A amplitude das mudanças levanta questões sobre a continuidade da gestão pública. Felisbela Francisco esteve na IGAE até 2017. A substituição quase total da equipa técnica, a poucos meses do fim do exercício, pode afectar a execução dos planos já aprovados.
Questionado sobre o tema, o jurista e catedrático Dr. Carlos Feijó defende que as mudanças de direcção são prerrogativa do titular do órgão, mas alerta para o risco de ruptura na memória institucional quando não há período de transição.
A IGAE é vista como órgão de referência no combate a práticas que afectam a economia e a boa governação. Mudanças abruptas na direcção podem servir de precedente para outras instituições do Estado.
NOVOS NOMEADOS E PROMESSA DE MAIS MUDANÇAS
Alguns dos novos nomeados são técnicos que nunca exerceram cargos de direcção e chefia no órgão. Resta saber se terão capacidade para alcançar as metas apresentadas no acto de tomada de posse.
Segundo fontes internas, a Inspectora-Geral prometeu novas exonerações e pretende aproximar a instituição do modelo da época do antigo Inspector-Geral Graciano Mande, com o regresso de quadros que haviam saído nas gestões de Sebastião Gunza e Ângelo da Veiga Tavares.
O nosso portal Agita News Oficial continuará a acompanhar as mudanças na IGAE. O interesse público está na correcção de práticas que prejudicam o desenvolvimento económico, na melhoria do ambiente de negócios e na retirada de Angola da lista cinzenta do GAFI.
Nota: As pessoas e instituições visadas têm direito de resposta. Este órgão está disponível para publicar a versão dos visados.
Deixe um comentário
Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *