Fonte: Agita News Oficial
O empresário Henrique Miguel, mais conhecido por Riquinho, anunciou que vai colocar no mercado 40% das suas acções no Jornal Continente, um título que já foi considerado um dos jornais privados mais activos do ecossistema da imprensa privada angolana e que viveu, sobretudo entre 2010 e 2014, o seu período de maior projeção.
A decisão surge num contexto de renovada agitação política e económica, voltando a colocar em evidência as relações entre os sócios e o futuro da publicação.
A trajetória do Jornal Continente ficou marcada por sucessivas reviravoltas. Em meados de 2015, o jornal encerrou temporariamente as suas actividades. Em 2016, foi reativado por alguns meses, antes de voltar a encerrar, desta vez de forma definitiva.
As disputas internas, segundo a narrativa conhecida no sector, tiveram origem em desentendimentos entre os sócios, após a aquisição de 60% das participações sociais por um grupo ligado à família Madaleno, liderado por Licas Madaleno, com alegado suporte financeiro atribuído a Álvaro Sobrinho.
O conflito entre as partes agravou-se ao longo do tempo. Riquinho esteve privado de liberdade durante um ano e seis meses, na sequência de uma condenação que não chegou a ser definitivamente revista, tendo sido posteriormente libertado ao abrigo de um indulto presidencial, integrado numa amnistia que abrangeu diversos processos e crimes.
Após recuperar a liberdade, Riquinho procurou relançar o Jornal Continente. No entanto, segundo a sua versão, os sócios maioritários tentaram impedir judicialmente a continuidade do projeto e bloquear a impressão do jornal nas gráficas, sem, contudo, alcançarem pleno êxito.
Durante esse período, o título passou a circular em configurações distintas, com edições associadas, ora a Riquinho, ora a Licas Madaleno, até que a publicação perdeu gradualmente força e acabou por cessar definitivamente as suas actividades mantendo-se apenas, por mais alguns meses, a edição liderada por Licas Madaleno.
Apesar do histórico conturbado, a estrutura societária mantém aspectos relevantes. Segundo os estatutos da empresa, Riquinho continua a deter 40% das acções, conservando direitos de gestão, embora os sócios maioritários detenham a palavra final nas principais decisões.
O entendimento defendido por Riquinho é que, caso os restantes sócios optem por não exercer plenamente as suas prerrogativas, a sua posição não poderá ser simplesmente anulada. Nesse cenário, o jornal poderá continuar sob gestão de Licas Madaleno, preservando, contudo, os direitos societários e patrimoniais do sócio minoritário, conforme estabelecido nos acordos firmados entre as partes.
No actual contexto, a solução considerada mais viável, tanto por Riquinho como por Licas Madaleno, passa por uma saída negociada: a venda das participações a uma nova entidade ou, em alternativa, a aquisição das quotas de um dos sócios pelo outro, permitindo a consolidação da estrutura acionista sob uma única liderança.
Riquinho afirma que esta intenção de venda já havia sido apresentada anteriormente, através de uma tentativa de negociação ocorrida entre 2021 e 2022, a qual, segundo sustenta, “não produziu os efeitos esperados”.
Agora, ao recolocar no mercado os seus 40% das ações, o empresário volta a abrir caminho para uma eventual reorganização societária, trazendo novamente para o centro do debate o futuro do Jornal Continente.
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