Fonte: Agita News Oficial
O anúncio de uma suposta greve no sector da Comunicação Social está a gerar fortes questionamentos, sobretudo devido à discrepância entre os números apresentados e a realidade profissional dos trabalhadores envolvidos. Fontes ligadas ao sector defendem que o Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) está a incluir milhares de funcionários que não exercem jornalismo nem possuem carteira profissional.
Dos cerca de 9 mil hipotéticos candidatos à paralisação anunciada, estima-se que apenas 10% sejam jornalistas devidamente credenciados e com carteira profissional válida. A maioria dos trabalhadores enquadrados no sector da Comunicação Social desempenha funções administrativas, técnicas, operacionais e de apoio, não podendo, por isso, ser considerada jornalista.
Analistas entendem que a situação está a criar uma narrativa enganosa em torno da dimensão real da greve, levantando dúvidas sobre quem, de facto, pretende avançar com a paralisação.
“Nem todos os funcionários do Ministério da Comunicação Social ou de empresas públicas de media são jornalistas. Há motoristas, técnicos de som, operadores de câmara, seguranças, administrativos e muitos outros profissionais que não pertencem à classe jornalística”, refere uma fonte ligada ao sector.
A comparação com outros sectores profissionais também começa a ganhar força. Na Saúde, por exemplo, quando há greve dos médicos, apenas os médicos aderem ao protesto. O mesmo acontece com os enfermeiros, cuja luta sindical é específica da classe. No caso da Comunicação Social, críticos defendem que a mesma lógica deveria ser aplicada.
Outra preocupação levantada é a alegada falta de mobilização interna. Segundo informações recolhidas, muitos trabalhadores da Comunicação Social afirmam desconhecer os detalhes da greve ou garantem não estar preparados para qualquer paralisação.
Há inclusive quem considere que o movimento está a ser conduzido por um grupo restrito, sem uma consulta ampla às bases, facto que poderá comprometer a adesão efectiva e enfraquecer a legitimidade da iniciativa.
Enquanto isso, cresce o debate sobre a necessidade de maior rigor na definição de quem realmente representa a classe jornalística em Angola e quais são os critérios utilizados para convocar movimentos grevistas em nome de todo o sector.
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