O jornalista angolano Mariano de Almeida defendeu publicamente que o dia 27 de Maio deve ser transformado em feriado nacional, como forma de homenagem, reflexão e preservação da memória das milhares de vítimas dos acontecimentos que marcaram uma das páginas mais dolorosas da história de Angola.
Segundo Mariano de Almeida, a recente divulgação da chamada “lista dos 62/14” reacendeu o debate nacional sobre a necessidade de reconhecimento histórico, reparação moral e reconciliação efectiva entre os angolanos. Para o jornalista, o impacto emocional causado pela divulgação dos nomes criou um ambiente de profunda consternação social, comparável a um verdadeiro “óbito nacional”.
O comunicador considera que o Estado angolano tem responsabilidade histórica e constitucional de promover iniciativas que fortaleçam a memória colectiva, o respeito pela dignidade humana e a valorização da vida. Neste contexto, entende que a institucionalização do 27 de Maio como feriado nacional representaria um acto simbólico de elevado alcance jurídico, político e moral.
Mariano de Almeida sustenta ainda que vários países adoptaram datas de memória nacional para recordar vítimas de conflitos internos, perseguições políticas e violações dos direitos humanos, permitindo que as futuras gerações compreendam os erros do passado e reforcem a cultura de paz e tolerância.
“O silêncio não apaga a dor das famílias. Ainda existem muitas perguntas sem respostas, relatos de desaparecimentos e referências sobre possíveis valas comuns que continuam a alimentar o sofrimento de inúmeras famílias angolanas”, refere.
O jornalista apelou directamente ao Presidente da República, João Lourenço, e à Assembleia Nacional de Angola para analisarem a possibilidade de criação oficial da data, defendendo que o gesto seria um marco importante no processo de reconciliação nacional e consolidação democrática.
O Investigador Tomás Augusto, entende que, do ponto de vista jurídico, a criação de um feriado nacional depende de iniciativa legislativa e aprovação parlamentar, podendo ser fundamentada em princípios constitucionais ligados à dignidade da pessoa humana, à memória histórica e à unidade nacional.
Para Mariano de Almeida, reconhecer oficialmente o 27 de Maio seria mais do que um acto político: “Seria uma homenagem às vítimas, um conforto moral às famílias e um compromisso do Estado com a verdade histórica.”
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