Fonte: Agita News Oficial
Empresário, detentor de 40% da sociedade, já trabalha no recrutamento de antigos jornalistas e novos quadros. Disputa societária poderá definir o futuro do jornal
O empresário Henrique Miguel “Riquinho” estará a preparar o relançamento do Jornal Continente, que se encontra há vários anos fora do mercado. Segundo informações apuradas, Riquinho já terá iniciado o processo de recrutamento de antigos jornalistas do periódico, bem como de novos profissionais, com o objectivo de colocar novamente o jornal nas bancas a partir do próximo mês de setembro.
Riquinho é detentor de 40% da sociedade e, segundo a informação que nos foi transmitida, mantém a qualidade de sócio-gerente, enquanto os restantes 60% estão nas mãos dos sócios maioritários.
A paralisação prolongada do Jornal Continente terá provocado sérias dificuldades aos antigos trabalhadores, entre jornalistas, pessoal administrativo e outros colaboradores, muitos dos quais permanecem há anos sem exercer as suas funções profissionais.
DISPUTA PELO CONTROLO DO JORNAL
No centro da polémica está uma disputa societária entre Riquinho e os atuais sócios maioritários, ligados aos irmãos Licas Madaleno e Álvaro Sobrinho.
De acordo com a versão apresentada à nossa redação, Riquinho entende que, enquanto sócio-gerente e titular de 40% da sociedade, dispõe de poderes previstos nos estatutos para promover o funcionamento do jornal, defendendo o regresso da publicação ao mercado e a recuperação dos postos de trabalho.
A mesma fonte sustenta que decisões de maior relevância, como alterações estruturais na sociedade, destituição do sócio-gerente ou eventual encerramento definitivo do jornal, dependeriam de uma deliberação societária com uma maioria qualificada, apontada na documentação analisada como sendo de dois terços ou 75% dos votos.
Nesse cenário, os 40% detidos por Riquinho assumiriam particular importância, uma vez que os restantes sócios, isoladamente, não alcançariam a maioria necessária para determinadas decisões, caso os estatutos efetivamente estabeleçam esse requisito.
RIQUINHO QUER RECUPERAR O INVESTIMENTO
O empresário terá apresentado, nos últimos tempos, propostas para a aquisição das suas participações por parte dos sócios maioritários. Segundo a informação recebida, a mais recente proposta terá sido apresentada há menos de uma semana, sem que, até ao momento, tenha havido acordo para a aquisição dos 40% de Riquinho.
Perante a ausência de entendimento, o empresário estará a preparar-se para avançar com o relançamento do Jornal Continente, apostando na recuperação da marca e no regresso dos profissionais que durante anos estiveram afastados da atividade.
Riquinho terá investido mais de 2 milhões de dólares na marca e no projeto, sendo apontada pelos seus representantes uma valorização atual bastante superior.
UM NOVO CAPÍTULO NA IMPRENSA ANGOLANA?
A eventual reabertura do Jornal Continente poderá transformar-se num dos mais importantes capítulos da atual disputa no setor da comunicação social privada em Angola.
A intenção anunciada é clara: recolocar o jornal no mercado, recuperar antigos profissionais e contratar novos quadros, dando nova vida a uma publicação que permanece inativa há vários anos.
Entretanto, qualquer contestação por parte dos restantes sócios poderá resultar numa disputa societária e judicial, caso não seja alcançado um entendimento.
Importa sublinhar que as alegações relativas aos poderes de gestão, percentagens de participação, requisitos de votação e eventuais processos judiciais devem ser confrontadas com os estatutos da sociedade, atas das assembleias e demais documentação oficial, antes de serem consideradas factos definitivamente estabelecidos.
CONTINENTE PODE VOLTAR ÀS RUAS EM SETEMBRO
Se o plano avançar conforme previsto, o Jornal Continente poderá regressar às bancas já em setembro, sob a liderança de Henrique Miguel “Riquinho”.
O empresário terá pela frente o desafio de recuperar uma marca que esteve afastada do mercado durante vários anos e, ao mesmo tempo, resolver uma complexa disputa societária que poderá determinar quem terá, efetivamente, o controlo da publicação nos próximos anos.
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