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NEPOTISMO E MILHÕES NA TAAG: GESTÃO DE NELSON OLIVEIRA E NEIDE TEIXEIRA SOB PRESSÃO

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NEPOTISMO E MILHÕES NA TAAG: GESTÃO DE NELSON OLIVEIRA E NEIDE TEIXEIRA SOB PRESSÃO

Fonte: Agita News Oficial

A companhia aérea de bandeira nacional, TAAG, continua a ser palco de denúncias envolvendo nepotismo, contratos milionários, consultorias duvidosas e uma gestão marcada por prejuízos sucessivos. Apesar da turbulência, dois nomes permanecem intocáveis no cockpit da empresa: Nelson Pedro Rodrigues de Oliveira, Presidente da Comissão Executiva, e Neide do Rosário Pinto Teixeira, administradora para a área Jurídica e Capital Humano.

Segundo fontes internas, ambos resistem às constantes críticas graças ao peso político que possuem dentro do MPLA e à confiança que lhes é conferida por figuras influentes do sector dos transportes.

O ESCUDO POLÍTICO

Fontes ligadas ao MPLA afirmam que Nelson Oliveira continua protegido pela confiança do Secretário de Estado para os Sectores da Aviação Civil, Marítimo e Portuário, Rui Carreira. Já Neide Teixeira beneficia da proximidade com o Ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, além da ligação à antiga PCA da TAAG, Ana Major, afastada em Dezembro de 2024, mas ainda considerada influente nos bastidores da companhia.

Uma das situações que mais levanta suspeitas é a contratação do escritório de advogados Melo Alves para intermediar a transferência de cerca de 600 trabalhadores da Direcção de Operações de Terra para a empresa Menzies Angola. Coincidência ou não, Ana Major integrou o mesmo escritório como consultora sénior no mesmo período, alimentando suspeitas de possível conflito de interesses.

NEPOTISMO E SALÁRIOS MILIONÁRIOS

As críticas à gestão da TAAG não são recentes. Contudo, é no pelouro de Neide Teixeira que os escândalos mais polémicos ganham força, principalmente devido aos elevados salários e benefícios atribuídos em plena crise financeira da empresa.

1. O caso Elson Gomes — salário fora da realidade

A contratação de Elson Mauro Galiano Gomes para o cargo de chefe de divisão, com um salário mensal de 3.237.794,57 Kz, acima da grelha salarial interna estimada entre 1,7 e 2,5 milhões Kz, terá sido promovida por Neide Teixeira e Tânia Marques.

Internamente, o caso reacendeu acusações de favorecimento, gastos excessivos e violação das regras internas, numa altura em que a companhia acumulava perdas milionárias diariamente.

2. O caso Elina Rocha — o “pacote VIP” milionário

Entretanto, o caso de Elina Rocha é apontado por vários trabalhadores como ainda mais grave.

Contratada como consultora externa por indicação directa de Neide Teixeira, Elina Rocha beneficia de um pacote considerado “luxuoso” dentro da companhia:

* Salário mensal de 6.300.000 Kz
* Bilhetes de facilidade
* Férias pagas
* Subsídio de alimentação
* Viatura de serviço
* Isenção de INSS e IRT, segundo denúncias internas
* Bónus anual superior a 18 milhões Kz, pago em 2025

O pagamento deste prémio gerou forte indignação entre os trabalhadores, sobretudo num período em que a TAAG fechou o exercício com prejuízos superiores a 134 mil milhões Kz.

Para muitos funcionários, este caso representa a prova de que a gestão da empresa ignora qualquer lógica de contenção financeira e sacrifício colectivo em plena crise.

CRISE FINANCEIRA E AUDITORIAS

Relatórios da KPMG revelaram várias inconformidades nas contas da companhia, incluindo um prejuízo líquido estimado em 154 milhões de dólares em 2024. A auditora terá emitido opinião com reservas devido a divergências nos inventários e à ausência de documentação relativa a 19,4 mil milhões Kz classificados como “existências em trânsito”.

Dados económicos divulgados em 2025 e 2026 apontam que a TAAG perde aproximadamente 367 milhões Kz por dia. O passivo corrente da empresa já ultrapassa o activo corrente em cerca de 181 mil milhões Kz, cenário descrito por especialistas como falência técnica.

O Tribunal de Contas também já terá manifestado dificuldades na fiscalização das contas da transportadora aérea.

O BRAÇO DISCIPLINAR DE NEIDE TEIXEIRA

Outro ponto polémico envolve a contratação do escritório P&P Advogados para conduzir processos disciplinares contra antigos colaboradores da companhia.

Internamente, muitos trabalhadores alegam que vários desses processos seriam forjados e utilizados como instrumento para despedimentos em massa, numa tentativa de equilibrar a folha salarial inflacionada pelas recentes contratações promovidas por Neide Teixeira e pela directora de Desenvolvimento e Estratégia de Capital Humano, Tânia Marques.

Os advogados Rui Brito e Chissola Brás são frequentemente citados pelos funcionários como rostos desses processos disciplinares.

Dentro do departamento de Capital Humano, nomes como Raina Neto, Neusa Gonga, Marcos Sousa, Wella Feijó e Francisco Franco também são apontados como executores de alegadas perseguições internas contra trabalhadores considerados “desalinhados” com a actual gestão.

A CRISE SEM FIM

Os números continuam a agravar a imagem da TAAG. A empresa acumula prejuízos, enfrenta auditorias problemáticas e vê a sua reputação desgastada por denúncias constantes de nepotismo e má gestão.

Ainda assim, Nelson Oliveira e Neide Teixeira permanecem firmes nos cargos, sustentados por fortes apoios políticos e redes de influência que ultrapassam os limites da companhia.

Enquanto isso, trabalhadores enfrentam despedimentos, transferências forçadas e profundas desigualdades salariais, num ambiente descrito internamente como “caos laboral”.

O FUTURO DA TAAG

O Governo já confirmou que a privatização da TAAG deverá avançar em 2026, após sucessivos adiamentos. No entanto, permanece a dúvida sobre se o processo será suficiente para romper com a alegada teia de interesses e influências que, segundo denúncias internas, continua a dominar a companhia.

Até lá, a TAAG continua a voar sob forte turbulência, carregando não apenas passageiros, mas também o peso de uma gestão marcada por privilégios, polémicas e uma crise que parece não ter fim.

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